
20ª Convenção Nacional de Livrarias
A Livraria e sua importância em um mundo em transformação
Nesta 20ª Convenção Nacional de Livrarias, que se realizou em agosto de 2010, na cidade de São Paulo, trouxemos o tema A Livraria e sua importância em um mundo em transformação. Transformações para as quais precisamos estar preparados, independentemente do porte de nossas livrarias. Desta forma, os temas das mesas de debates foram cuidadosamente estudados para atender as expectativas de nossos associados, com matérias relevantes e atuais.
Paralelamente a Convenção, realizamos, ainda, o 1º Encontro ANL de Livreiros Independentes. O evento buscou conhecer, mais detalhadamente, as atuais necessidades do pequeno empresário, no segmento de livrarias, assim como desenvolver ações concretas junto às entidades públicas e privadas, que visem exclusivamente esta categoria. Os participantes do Encontro redigiram um manifesto que será entregue aos políticos de todas as oligarquias, imprensa e público em geral. Caro associado, apresentamos a seguir, os resultados de nossa Convenção, em seus principais pontos. |
|
|
Cordialmente, Vitor Tavares - Presidente da ANL
A Convenção 2010
No primeiro dia das mesas de debate, da 20ª Convenção Nacional de Livrarias, que aconteceu entre os dias 10 e 11 de agosto, em São Paulo, foi apresentada a 3ª edição do Anuário Nacional de Livrarias®. Para Vitor Tavares, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), a realização e entrega do Anuário é mais uma conquista da entidade, que vem crescendo a cada ano, com a colaboração dos associados, que sempre apontam as melhorias e suas necessidades. O Anuário, desenvolvido e coordenado pela ANL, contou com o apoio da Câmara Brasileira de Livros (CBL); do Centro Regional para o Fomento ao livro na América Latina e Caribe (CERLALC)/UNESCO; e da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Ainda, na abertura oficial do evento, com público estimado em cerca de 250 pessoas, entre executivos, diretores, autores e profissionais do setor de livro, Augusto Kater, gerente das Livrarias Ave Maria e diretor da ANL, apresentou o Diagnóstico do Setor Livreiro 2009 com dados sobre o universo de 2.980 livrarias existentes no Brasil. Entre os pontos destacados por ele, um dos mais significativos diz respeito ao número de livrarias independentes no Brasil, que pertence ao grupo de apenas 1 loja e que representa 63% do número total de livrarias apresentadas no estudo. “Mesmo não tendo um número favorável de livrarias, almejado e considerado necessário, percebemos que o mercado de livrarias ainda é um bom negócio, mesmo que na teoria. Acredito que isso ocorre por que podemos criar e transformar por meio da cultura e da leitura, o que pode ser desenvolvido em uma livraria.”, comenta Kater. O Diagnóstico, da Associação Nacional da Livrarias, teve organização e desenvolvimento de Beth Naves, diretora da Naves Mineiro Informação e Cultura.
A mesa, “Políticas Públicas Voltadas às Livrarias e seus Benefícios para o Setor”, foi mediada por Galeno Amorim, diretor do Observatório do Livro e da Leitura. O jornalista apresentou os principais tópicos atuais no setor de políticas públicas e, ainda, no final da mesa, comentou sobre as possíveis mudanças que podem ocorrer para melhorar a condição fiscal e política para os livreiros. “É importante ressaltar que tivemos um avanço considerável para o setor, especialmente se olharmos para traz, em pouco mais de uma década. Os resultados de lá para cá foram expressivos e percebo que a cada ano, temos um crescimento, tímido, mas ele acontece. Acho que a discussão apresentada na mesa sobre políticas voltadas ao setor livreiro foi muito rica em detalhes, sugestões e alternativas para melhorar ainda mais o setor.”, comenta Amorim.
Entre os participantes desta mesa, Tuchaua Rodrigues, diretor da Câmara Rio-Grandense do Livro e membro da Comissão da Lei de Fomento ao Livro e a Leitura – “Lei do Preço Único”, expressou a necessidade, imprescindível, de que os livreiros avaliem mais suas necessidades e o seu mercado de atuação, para reivindicarem o que de fato é favorável a eles, melhorando todos os campos entre produto, consumidor e vendas.
Para Sebastião Macedo Pereira, economista, professor e prestador de consultoria financeira, que desenvolve os projetos de financiamento ao BNDES e outras instituições, que também participou do debate, o livreiro, assim como todos que são envolvidos na cadeia livro e livraria, distribuidora e editora, devem se organizar e cadastrar todos os seus produtos no BNDES para que consigam aprovações de empréstimos e subsidiar os projetos que envolvem o seu campo de atuação ou loja. “Oferecemos o cartão BNDES que facilita muito a aquisição de empréstimos e aprovação dos mesmos. Hoje, o BNDES disponibiliza crédito de 200 mil até 1 Milhão de reais, de acordo com o perfil e o setor. Percebo, ainda, que o agravante de não conceder empréstimos se dá pela falta de projetos. Ou seja, precisamos de mais projetos para o desenvolvimento do setor. “, desabafa Pereira.
Gabriela Gambi, que representou o Ministério da Cultura na mesa, falou a respeito do projeto Livro, Leitura e Literatura Nacional. Durante seu discurso, comentou sobre projetos criados a partir de 2004, como o Plano Nacional do Livro e da Leitura, que incentiva o setor a promover ações concretas e direcionadas ao público que ainda precisa descobrir o universo da cultura e da leitura. “O Governo apóia todas as ações do setor e, ainda, contribui na criação de pontos de cultura e leitura. Hoje temos mais de 600 espalhados pelo Brasil e temos projetos para dobrar esse número. Precisamos institucionalizar o Plano de Leitura, para que possamos fazer mais pelo setor.”, disse Gabriela.
Dando continuidade aos debates, José Castilho Marques Neto, diretor presidente da Fundação Editora da UNESP, Secretário da PNLL, colocou as dificuldades enfrentadas pelas pequenas e médias livrarias, o que, segundo ele, não é novidade para ninguém, mas precisam ser enfatizadas. Em seu discurso, comentou que esse grupo de livrarias não pode se isolar e esperar o público leitor. “Temos de ver com abrangência e levar ao leitor todos os eixos afinados, para que esse público se torne freqüentador das lojas. As defesas das livrarias não devem se concentrar somente na área cultural e econômica. Devemos criar outros métodos e aplicá-los para obter resultados efetivos, como políticas públicas específicas, como o Plano Nacional de Leitura, uma conquista global e benéfica à todos”, comentou Neto.
Dentre os convidados especiais, a participarem da discussão, Richard Uribe, do CERLALC, da Colômbia, ressaltou a importância do preço único e citou diversos exemplos aplicados no México que vem dando certo. Comentou, também, que há muito esta questão é debatida e que infelizmente perceberam que no primeiro momento não era possível de se aplicar. Mencionou, ainda, sobre diversos países como os Estados Unidos, no qual possui leitores da era digital que estão em esferas diferentes do nicho de leitores convencionais, impressos. “Todas as pessoas que lêem livro digital tem uma condição financeira favorável. Para tornar o mercado livreiro mais produtivo e com recursos que favoreçam a todos é preciso alternativas como, por exemplo, bibliotecas públicas, centros culturais entre outros.”, salientou o palestrante.
Durante a terceira mesa de discussões, com o tema “Editor, Distribuidor, Livreiro, Educador e Autor – juntos em um mesmo ideal, casos práticos”, que foi mediada por Francisco Ednilson Xavier Gomes, diretor gerente da Livraria Cortez e 1º vice presidente da ANL, foram abordados a tópicos e cases de sucesso para exemplos aos representantes do setor.
Para o professor Edgard Bohn, coordenador pedagógico do ensino fundamental do Colégio Rio Branco de Campinas – SP, a sinergia entre os Editores, Livreiros e Pedagogos deve ocorrer com freqüência, o que infelizmente ainda é pouco realizado, segundo ele. Ele comentou que também há uma carência de autores no campo didático, o que torna o distanciamento entre a cadeia do setor livreiro cada vez maior. “É necessário criarmos alternativas para difundir o livro e seu conteúdo. Vejo como alternativa a criação de feiras e eventos ligados ao livro, para tornar o produto mais próximo do público potencial.”, falou o professor.
Para Marco Aurélio Stech, diretor comercial da Editora IBEP, o conceito de parceria entre editoras e livreiros está defasado. Ele ressaltou que hoje, em sua grande maioria, ambos visam o lucro maior, o que dificulta um bom negócio e enfraquece o elo. Ele afirmou, ainda, que o mundo está em transformação, mas que há práticas antigas que devem continuar a ser usadas e que continuam a dar certo. Entre elas, por exemplo, ações de marketing, eventos e criação de espaços voltados para a cultura, são grandes aliados para o livreiro e para a editora.
Quando se pensa na questão da venda de livros no Brasil, Júlio Cezar Augusto Sesma da Cruz, diretor da Distribuidora Catavento, é objetivo em dizer que deve haver uma reflexão sobre este ponto. Ele comentou que a divulgação boca a boca ainda funciona e traz resultados excelentes, ainda mais quando um cliente sai do estabelecimento satisfeito com a compra, com o atendimento e com a disposição da loja física. “Outro ponto relevante é a questão do preço justo, já falado aqui nesta Convenção, que se fosse praticado corretamente, conquistaríamos muitos novos leitores. Eles poderiam sair das lojas com 3 ou 4 títulos, alegres e satisfeitos em suas escolhas, com a possibilidade de pagar por elas. Isso tudo combinado a ações de marketing e um bom atendimento resolveria boa parte do problema do setor.”, disse Cruz.
Entre os palestrantes da quarta mesa, com o tema “Casos de Experiência de Sucesso nas Livrarias”, mediada por Samuel Seibel, diretor da Livraria da Vila de São Paulo e da ANL, Benjamim Magalhães, diretor da rede Travessa de Livrarias do Rio de Janeiro, é importante antes de tudo que o livreiro tenha amor pelo o que realiza. Sem isso, não existe formula de sucesso, nem tão pouco soluções que possam ser aplicadas no negócio para crescer. ”Um de nossos diferenciais para nos mantermos vivos e atuantes no ramo é a tematização de nossas vitrines, bom atendimento e a diversificação no catálogo para oferecer ao cliente. Investimos, ainda, ao longo de nossa história em novas tecnologias, como a loja virtual, que hoje é um potencial em vendas.”, disse Magalhães.
Paulo Escariz, diretor da Livraria Escariz de Aracaju, ressaltou a importância da infra-estrutura e organização de temas. Citou que é imprescindível o treinamento e qualificação da equipe de colaboradores da loja. Disse, também, que é possível inovar e ampliar os negócios com o apoio do Governo e empréstimos do BNDES. “Acredito que somos um caso de sucesso por que sempre procurei cumprir com todos os pagamentos de fornecedores, o que me garantiu um diferencial. É necessário, acima de tudo, oferecer ao cliente excelência no atendimento, localização estratégica e especialmente incentivar a leitura como um todo.”, comentou Escariz.
Para José Xavier Cortez, diretor fundador da Livraria Cortez de São Paulo, a valorização pela cultura e o amor pelos livros o fez ser o homem que ele é hoje. Ele gosta de dizer que a informação e o livro deve ser repassado adiante para todos tenham a oportunidade de conhecer, aprender e crescer em seus campos de atuação. E entre a sua apresentação, ele recebeu mais uma homenagem em vida com a apresentação do trailler do documentário “O Semeador de Livros”, no qual arrancou aplausos de pé de todos os presentes. “Sou o que sou por que fiz do livro a minha razão de viver. Não vou mudar e me sinto feliz em poder ajudar os outros a terem acesso a literatura e a magia da leitura.”, finalizou Cortez.
Em seu segundo dia, a 20ª Convenção Nacional de Livrarias, trouxe temas como: Livros por Demanda; Impacto dos Livros Digitais; e Problemas e Desafios das Livrarias Brasileiras.
No período da manhã, Vitor Tavares, mediou a primeira mesa “Livros Por Demanda: Como Agregar Valor Comercial à Livraria Trabalhando Sob Demanda”, com a participação de Mário César de Camargo, diretor da Gráfica Bandeirantes, e Clineu Stefani, diretor comercial da Bandeirantes e Soluções Gráficas; João Scortecci, diretor da Livraria Asabeça e da ANL; e Alexandre Martins Fontes, diretor executivo das livrarias Martins Fontes.
Scortecci trouxe alguns números do setor, destacando que hoje há cerca de 130 milhões de títulos no mundo todo. Entre os tópicos apresentados, falou sobre o Fundo de Biblioteca Nacional que atingiu cerca de 500 mil obras registradas, o que mostra que o mercado de livros sob demanda é viável e lucrativo. “As Gráficas aprenderam a trabalhar com o produto livro. A evolução tecnológica permite mais qualidade e suporte, assim como mão de obra qualificada, o que pode ser um novo mercado para as livrarias”, ressaltou.
Já Camargo, enfatizou a questão sobre meio ambiente e problemas sustentáveis relacionados à impressão de livros, que segundo ele, é algo totalmente resolvido. “Posso afirmar que todo o papel usado para impressões de obras, no Brasil, é oriundo de uma plantação especifica para este fim”, comentou. Outro ponto apresentado relaciona-se sobre o livro digital, que compõe uma nova era no setor e que não deve abalar as estruturas do impresso e seus segmentos.
Para Stefani, o livro por demanda em Off Set está crescendo com rapidez, especialmente por que permite as editoras uma impressão menor em tiragens de livros que podem ou não ter saída no mercado. E sobre o papel das livrarias neste novo conceito, ele disse que é possível agregá-las na cadeia produtiva. “Para isso, pode-se criar um BandBook, onde as livrarias produzem e vendem seus livros por demanda, incluindo os esgotados na Editora, que não disponibilizará uma nova tiragem,mas que pode ser impresso por encomenda, pela livraria.”, emendou.
Com vasta experiência na área de livro por demanda, Fontes foi positivo a questão do livro por demanda, combinado as mídias digitais, que eternizarão as obras. Ele disse, também, que o maior desafio para as livrarias é, atualmente, manter o negócio vivo e em atividade. Para isso, além de diversidade de títulos, é necessário manter qualidade no atendimento para fidelizar o cliente leitor. “Temos de criar ações para chegar no cliente e não apenas esperar acontecer. O cliente espera muito mais do que apenas uma informação sobre um produto ou livro. Ele quer se sentir único e bem atendido”, afirmou.
A segunda mesa, do dia — mediada por Mileide Flores, diretora da Livraria Feira do Livro de Fortaleza/CE e da Associação Nacional de Livrarias do Nordeste — “Panorama das Livrarias Brasileiras. Problemas e Desafios atuais do Setor Livreiro”, contou com a participação de Arcângelo Zorzi Neto, diretor da Livraria do Maneco; Marcus Telles, diretor da Rede de Livrarias Leitura; Milena Piraccini Duchiade, diretora Da Livraria Leonardo da Vinci (diretores da ANL); Tarciana Portella, coordenadora do Ministério da Cultura; e José Carlos Ruy, representando o deputado Francisco Lopes da Silva.
Para Neto, os livreiros estão em um bom momento para conseguirem melhores empréstimos, especialmente por conta da os recursos existentes, mesmo com a morosidade do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), que por muitas vezes, faz com que a demanda procure outras instituições financeiras para subsidiar novos projetos. Em seu discurso, disse também, que as editoras deveriam oferecer um novo plano de descontos para os livreiros de todos os perfis (pequeno, médio e grande porte). “Com isso, todos sairiam ganhando, pois as empresas ‘ponto com’ preferem perder lucro nos livros para atrair os consumidores, o que provoca problemas no setor livreiro. Se houver uma prática justa de descontos, parte já seria solucionada, como a Lei do Preço Único”, comentou.
Quando se fala de tendências no setor livreiro, por exemplo, Telles afirma que já é visível a inovação. Além das ações convencionais usadas pelos livreiros, ele comentou sobre novas tecnologias como E-book; cooperativismo entre as livrarias independentes; além de citar sobre os espaços de lazer e conveniência criados especialmente para este nicho, como cafés, internet, papelaria, informática, e espaços para eventos e leitura. “Acredito que nenhum setor vai suprir o outro, foi assim em todos os processos de evolução. O Rádio não substituiu a TV e assim por diante. Os livreiros precisam ficar atentos as necessidades dos clientes, como oferecer estacionamento, ter lojas bem posicionadas, ter uma especialização , principalmente, vendas por internet.”, ressaltou.
Para Milena, que iniciou sua palestra com a citação em versos ‘se é verdade que em longo prazo vamos morrer, não vamos advogar aos outros um suicídio coletivo’, o setor livreiro precisa de mudanças emergenciais. Entre os tópicos abordados, ela mostrou um panorama da real situação do mercado livreiro no país com dados sobre a quantificação de livrarias em relação ao número de municípios existentes, conforme o apresentando, também, no Diagnóstico do Setor Livreiro da ANL. “Para melhorar a situação dos livreiros, proponho uma alternativa para o mercado varejista e ainda, deixo uma pergunta aos editores presentes neste evento: será que vocês continuarão reféns das grandes redes, que pelo que sabemos, cumprem com seus pagamentos com datas aleatórias satisfazendo somente a si ou vocês preferem dar atenção as livrarias pequenas e ou independentes que sempre cumprem com seus pagamentos e compromissos junto as editoras? Pensem em soluções aplicáveis.”, finalizou.
Taciana, argumentou sobre os projetos oferecidos pelo Governo, que além de propor empréstimos, tem criado anualmente plataformas de incentivo a leitura e a cultura. Ela comentou que não é mais possível ter no país somente algumas editoras que difundem o produto editorial. “Do ponto de vista da política pública, é necessário se criar novas ações para melhorar e ampliar o setor, em todos os contextos culturais. Para isso, o Ministério da Cultura tem feito diversas parcerias, especialmente com o MEC.”, conclui.
Para Ruy, que representou o deputado Francisco Lopes da Silva, a comercialização dos livros deveria ser em escalas de menores custos para atrair o leitor. Todos sairiam ganhando no final, segundo ele, pois o mercado tenderia a crescer de maneira significativa. “O Governo, por exemplo, é um dos grandes compradores de livros, que acontece por meio de licitações. Se as Editoras praticarem valores mais acessíveis, todos poderão concorrer e, assim, se desenvolverem no contexto geral.”, afirmou.
A terceira mesa de debates, “Os desafios e o Impacto do Livro Digital nas Livrarias. Como as livrarias devem se preparar com esta nova tecnologia”, mediada por Vitor Tavares, teve a participação de Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL); Ednei Procópio, diretor da Giz Editorial, membro da Comissão do Livro Digital da CBL; Carlos Eduardo Ernanny, da Livraria Gato Sabido; e Alonso Alvarez, diretor da Libre.
Durante seu discurso, Rosely, parabenizou as ações da ANL e enfatizou que todas são de grande importância para o setor livreiro, especialmente as criadas para parcerias e a união de todos em prol de resultados e difusão cultural. Ela comentou que o livro digital é uma realidade e que em todos os lugares, cidades e municípios já há uma criança ou adolescente engajada em mídias sociais. “Embora a tecnologia esteja agradando e conquistando muitas pessoas, eu ainda sou a moda antiga. Adoro o livro, o papel e seu cheiro, tão peculiar. Não consigo ver a extinção dele em nenhuma circunstância.” desabafou.
Os participantes interessados por novas tecnologias, em especial sobre livros digitais, puderam acompanhar uma aula sobre assunto, ministrada por Procópio, jovem especialista no assunto, que esmiuçou as vantagens e desvantagens de cada tecnologia usada para a leitura de livros digitais. “O mercado editorial brasileiro demorou cerca de 10 anos para se atentar e dirigir-se ao mercado digital. E acredito que vai demorar, ainda mais 10 anos para conseguir se adaptar e chegar a todos”, enfatizou em seu discurso final.
Para Ernanny, que falou sobre como trabalhar o livro digital no e-commerce, o livro não é representado em formato e sim em conteúdo. Tanto que o mesmo livro ou conteúdo, deve ser disponibilizado em todas as formas possíveis e imagináveis, com o objetivo de criar a cultura de leitura e cultura a todos. Para isso, segundo ele, é necessário fazer com que as mídias digitais aconteçam de maneira positiva e efetiva. “O livro é um legado que queremos deixar para os nossos filhos. No entanto, eles vão ler tudo isso no digital.”, disse.
Tal posicionamento e conceito sobre livro e mídia digital são compartilhados por Alvarez, que abordou tópicos sobre ‘como o livreiro e editor independente pode agregar valor ao seu negócio com o livro eletrônico’. Ele ressaltou a importância do setor estar preparado para essas novas tecnologias, assim como para o perfil de público que irá atender a esse mercado. “O livreiro deve estar antenado e aberto a tudo de novo que acontece especialmente às novas tecnologias.”, comentou.
Fechando a Convenção Nacional de Livrarias, Vitor Tavares, agradeceu a participação de todos e ressaltou a importância de que todos os associados participem e acompanhem as ações da entidade. Reconheceu que está seria sua última ação em eventos, devido o término de sua gestão como presidente da entidade, deixando claro que continuará a atender e contribuir para melhorias do setor.
Palestras e Intervenções completaram o conteúdo
da 20ª Convenção Nacional de Livrarias
A primeira palestra “A Importância do capital humano para a excelência no atendimento à livraria”, com a mediação e coordenação de Teobaldo Heidemann, diretor Comercial da Vozes e da ANL, teve como foco principal à importância de como viver melhor e com qualidade. Entre os participantes: Clóvis de Barros Filho, bacharel em Comunicação Social pela Casper Libero e em Direito pela USP, Doutor em Direito pela Universidade de Paris e Doutor em Comunicação pela ECA-USP; e Arthur Meucci, Bacharel e Lincenciado Pleno em Filosofia pela USP e em Psicanálise pelo Instituto Brasileiro de Ciência e Psicanálise, mestre em Filosofia Pela USP, autores do livro: “Vida que vale a pena ser vivida”
Clóvis de Barros Filho, literalmente, ministrou uma aula de filosofia embalada a momentos de descontração e seriedade, com ênfase em “vida com qualidade” e não “qualidade de vida” como popularmente é conhecida por todos. “A vida não tira férias e temos de escolher a melhor maneira de viver, a melhor vida para cada momento, em todos os passos que damos, ou seja, temos de nos colocar em prova a todo tempo. Para isso, o melhor a fazermos é escolher uma vida com qualidade e nos tornaremos felizes de verdade.”, ressaltou Heidemann.
Fechando a terceira mesa sobre a cadeia livreira, do primeiro dia das palestras, o autor de “O Pai Perdido de Amor”, James Misse, fez uma apresentação para a platéia, com um violão e uma mala cheia de brinquedos. A mensagem passada por ele, que em alguns momentos suspirou afirmações por parte do público, é de que crescemos e nos tornamos turrões, chatos e nervosos. Esquecemos a magia da criança e a suavidade de viver. “O escritor tem um desafio grande ao escrever sua obra. Ele tem de se transpor aos modelos existes, mantendo os princípios particulares de cada um. Acho que vida boa mesmo é vida de criança, pois ser gente grande dá muito trabalho. Por isso me mantenho no universo infantil escrevendo e lendo obras que me remetem a alegria, que somente a leitura e o livro podem proporcionar.” Desabafou Misse.
A palestra “Qualidade de Vida no Mundo Contemporâneo”, com apresentação de Solange Whehaibe, diretora das Livrarias Veredas e 2ª vice presidente da Associação Nacional de Livrarias, permitiu ao público conhecer de perto e compartilhar da alegria de viver de Nuno Cobra, autor do livro “A Semente da Vitória”. Em suas palavras, sempre gentis, Cobra ressaltou a importância de nos atentarmos as coisas positivas, ao incentivo de potenciais e, principalmente, a valorização do ser humano em sua magnitude. “Podemos por meio de nossos gestos instruir ou destruir as pessoas. Acho que posso mais do que isso. Penso que podemos chegar onde quisermos, desde que tenhamos dedicação e amplitude para isso. A leitura nos fornece isso e nos fortalece.”, ressaltou.
E, fechando, o primeiro dia da 20ª Convenção Nacional de Livrarias, Marcus Vinicius Barili, gerente –editor da Editora SENAC São Paulo, apresentou ao público o autor do livro “Vinhos: O Essencial”, José Ivan dos Santos, também engenheiro de formação, com especialização em vinhos pela Wine & Spirit Education Trust – Londres, consultor técnico da Expovinis Brasil-Feira Internacional de Vinho e Colunista do Jornal Vinho & Cia, estudioso entre enologia e culinária.
O tema “Como Harmonizar Vinhos com Livros. Vinhos: O Essencial”, foi um presente dado aos participantes que puderam aprender e conhecer sobre detalhes e peculiaridades que o vinho tem. O palestrante apontou as principais diferenças e cuidados recomendados para o estocamento do vinho e a combinação com especiarias. Falou também sobre o beneficio a saúde e, ao fim, convidou o publico para degustar um banquete de queijo e vinhos no salão ‘Rodadas de Negócios’, paralelo ao evento.
A palestra de encerramento da Convenção, coordenada por Mauro Lopes de Azevedo, gerente nacional das Livrarias RT e diretor da ANL, teve seu tema focado aos participantes e profissionais do setor, com o título: “As Empresas e as Decisões Certas”, ministrada por Eduardo Ferraz, pós-graduado em direção de empresas pelo ISAD/PCPR, especializado em dinâmica de grupos pela SBDG e trabalhou na multinacional Suiça Ciba Geiby, e autor do livro: “Por que a Gente é do Jeito que a Gente é?”.
O palestrante deu uma aula lúdica para os presentes com informações sobre os perfis e personalidades de vários grupos. Ele ressaltou que as pessoas podem trabalhar seus potenciais e, ainda, melhorar parte de sua personalidade. Comentou sobre a construção da personalidade como toda, que recebe forte influência do ambiente em que ela está. “Acredito que podemos potencializar os nossos pontos fortes pra agregar valores e oportunidades. Vemos isso acontecer todos os dias em todos os lugares. É preciso incentivar o desenvolvimento das potencialidades e aptidões. Assim construímos uma personalidade com grande chance de sucesso e conquistas”, finalizou.
Rodada de Negócios 2010
A 20ª Convenção Nacional de Livrarias abriu espaço para sua 2ª Rodada de Negócios, um ponto de encontro para os profissionais do setor. Neste ano, a Rodada — atendendo e buscando as necessidades daqueles que tornam possível a realização de nossa Convenção: nossos apoiadores e patrocinadores — dedicou um espaço privilegiado aos expositores. O local foi ponto de encontro na chegada ao evento, nos coffees breaks e eventos de degustação.
Convidados pela Revista ANL, vejam o que disseram alguns
dos expositores sobre a 2ª Rodada de Negócios
“Para a CookLovers a participação na Rodada de Negócios 2010 ANL foi um grande sucesso. Uma excelente oportunidade não só para divulgar a marca e o conceito editorial, mas de entrar em contato com os livreiros potenciais e intercambiar experiências com outras editoras que estavam expondo. Inclusive, a maior interatividade com os livreiros, nosso público alvo no evento, rendeu uma série de dicas e sugestões para tornar o produto mais competitivo no mercado, em resposta ao perfil inovador de nossos produtos”.
Marcelo Nogueira/ CookLovers
“Posso assegurar que foi um resultado promissor, pois conseguimos realizar contatos importantes para aprimorar uma melhor distribuição dos produtos editados pelo Grupo Almedina. Ficou claro que a comissão atual tinha o foco na organização, competência e coerência no andamento do evento, bem como ótima capacidade de reunir livreiros da máxima importância para o nosso mercado. Conseguimos através desta oportunidade aproximar um pouco mais o nosso catálogo de potenciais parceiros de negócios, e assim viabilizar a expansão do nosso campo de atuação”.
Flaviano Furtado de Sousa/Grupo Almedina
“A Rodada de Negócios realizada durante a Convenção Nacional de Livrarias é uma oportunidade de nos relacionarmos cada vez mais com nosso público alvo, através de um ambiente agradável, sem tanta formalidade e cercado de muito conhecimento e troca de experiências”.
Edmar Custódio/Editora Santuário
“A Rodada de Negócios é uma oportunidade única para os executivos das editoras conhecerem melhor as dificuldades e avanços dos empreendedores do livro”.
Teobaldo Heidemann/Editora Vozes
“Para nós, foi a primeira experiência na rodada de negócios. E a nossa avaliação foi positiva. Este ano a Cortez Editora completa 30 anos e o evento foi muito importante para apresentarmos ao mercado nossos projetos/livros que marcam um momento de renovação editorial do nosso catálogo. Esta ação possibilitou o reforço institucional da marca, além de propiciar um encontro com parceiros comerciais e trazer a oportunidade de iniciar conversas para futuras parcerias”.
Marcel Cleante – Cortez Editora
Agradecemos a nossos Apoiadores, sem os quais não seria possível a realização da 20ª Convenção Nacional de Livrarias
Atlas
Cook Lovers
Catavento
Cortez
DCL
Disal
Distribuidora Loyola
Editora Almedina
Elsevier |
Gen Editorial
Global
Melhoramentos
Moderna
Nobel
Parábola
Positivo
Paulus
Revista dos Tribunais |
Rideel
Santuário
Editora Saraiva
Livraria Saraiva
Summus
Via Logos, e
Vozes
|
Expediente
ANL – Associação Nacional de Livrarias
Diretoria e Conselho Fiscal da ANL
Biênio 2009/2011
Presidente: Vitor Tavares da Silva Filho – Livraria Loyola
1° Vice-Presidente: Francisco Ednilson Xavier Gomes – Livraria Cortez
2° Vice-Presidente: Solange Jacob Whehaibe – Livraria Veredas
1° Secretário-Geral: Milena Piraccini Duchiade – Nova Livraria Leonardo da Vinci
2° Secretário-Geral: Samuel Seibel – Livraria da Vila
1° Tesoureiro: Augusto Mariotto Kater – Livraria Ave-Maria
2° Tesoureiro: Mauro Lopes de Azevedo – Livraria Revista dos Tribunais
Diretores Adjuntos: Arcângelo Zorzi Neto – Livraria do Maneco; Magda Krauss de O. Freitas – Casa Cultural Saber Ler Livraria; Marcus Teles Cardoso de Carvalho – Livraria Leitura; Maria do Socorro Sampaio Flores – Livraria Feira do Livro; Primo Luiz Maldonado – Livraria Multicampi; Renato Francisco Corrêa – Livraria Paulinas; e Teobaldo Heideman – Livraria Vozes.
Conselheiros Fiscais: Bernardo Gurbanov – Livraria Letraviva; Claudio Amadio – Livraria Cidade do Livro; e João Scortecci – Livraria Asabeça.
Suplentes: João Batista Sobrinho – Livraria Pedagógica Paulista; Marcos Pedri – Livrarias Curitiba; e Marylene Baracchini – Livrarias Paraler.
Organização e Desenvolvimento
Associação Nacional de Livrarias (ANL)
Coordenação
Viviane Valle – SV Eventos
Secretaria Geral
Francini Ramalho
Rosylene Paiva e Carolina Bernardo de Souza
Projeto Gráfico Convenção
Andréia Custódio – Parábola Editorial
Assessoria de Imprensa e Produção Editorial
Carina Gonçalves e Marilu G. do Amaral - MGA Comunicações
Edição de Arte e Capa
Sergio Fernandes Comunicações
Direitos de publicação:
© ANL - Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou comercializada sem permissão por escrito da ANL
Associação Nacional de Livrarias
R. Marquês de Itu, 408 | Cjs. 71, 72 e 73
Cep: 01223-000 | São Paulo, SP
fone: (11) 3337-5419 | fax: 3361-4622
www.anl.org.br | anl@anl.org.br
imprensa: imprensa@anl.org.br
voltar à página anterior
_______________________________________
|